Um raio de sol ou restea de luz

Offerecido ao meu amigo Hercilio Menezes

Tu és o raio do Sól
Que de longe veio cà
A buscar a escura nuvem
Para levar atè là

Tu que de longe viéste
A buscar tão pouca cousa,
E's quem ao mundo trouxeste
Tudo que nelle repousa...

Tua memoria tão celebre
E teu olhar tão risonho
Ambos sòmente me restam
Na lembrança de teu sonho.

E' teu sonho tão bonito
E' teu cantar tão correcto
Que encantam estes meus ólhos,
Como se eu fosse dilecto.

Trovas Paranaenses


    ADOLPHO WERNECK - Pouco mais de vinte anos passaram sôbre o instante em que cerrou os olhos para o mundo um inspirado e grande Poeta, talvez não tanto ignorado, quando inexplicavelmente esquecido: ADOLPHO JANSEN WERNECK DE CAPISTRANO.
    Filho da pequenina Morretes - que êle chamava "o coração do Paraná" - nasceu a 3 de Dezembro de 1877, sendo seus pais João Wernecke de Sampaio Capistrano e D.ª Maria Sorana Werneck de Capistrano.
    Já em 1903 publicava "DONA LOURA", pequeno mas expressivo livro, em cujos versos iniciais dizia:

"Versos sem arte, Dona Loura é apenas
um grito d'alma no esto da paixão.
Dize-me tu, se acaso me condenas,
como calar a voz do coração!"

    Em 1908 publicou "Bizarrias", contendo versos carregados de melancolia e tristeza, assinaladores, talvez, de amarga fase de sua vida, ou fruto não só de seus espírito atormentado, mas da própria tragédia humana, como em "Drama Eterno", quando compara o mundo a um grande teatro, e termina:

"Por vezes, tendo n'alma a escuridão da gehena,
pomos, por sôbre o rosto, a máscara -- mentira --
e, tal qual Arlequim, a rir, vimos à cena.

E cada qual, assim, desempenha o papel...
Um se vai, outro vem, a platéia delira,
e continua o drama -- a Torre de Babel.

    Sua poesia é do melhor quilate e se encontra reunida não apenas em DONA LOURA  e BIZARRIAS, mas ainda em INSONIA (1921), MINHA TERRA (1922) e ARCO IRIS (1923). Todavia, o maior acêrvo de sua arte está esparso por aí, em jornais e revistas, sob pseudonimos diversos: Ad. Janwer, Bingue, Hugo, Jansen de Capistrano, Nelson de Andrade, Plutão.
    Sua atividade literária -- poeta, jornalista, humorista e prosador -- se estendeu desde a colaboração em "Clube Curitibano" e "Vitrix", à redação de "A Notícia", "O Artista" (1892) e "O Sapo". Foi um dos fundadores de "Azul" e redigiu "Carga", revista humorística.
    Era funcionário da Delegacia Fiscal; no exercício do cargo, serviu na Alfândega de Corumbá, periodo em que esteve afastado da família, bastante magoando seu afetivo coração a saudade, a distância e o viver em terra estranha.
    Foi casado em primeiras nupcias com D.ª Maria Antonieta Fernandes Werneck de Capistrano, tendo 9 filhos, dos quais vivem: Adolpho, Aglaé e Arion. Sua esposa, em segundas nupcias, foi D.ª Alice Taborda Werneck de Capistrano, tendo, dêsse casamento, cinco filhos, todos ainda vivos.
    Muito amou sua terra natal, a serena e tranquila Morretes:

"Terra querida! Minha Terra! Terra
de sol, de luar, de sedução e brilho,
a ti eu dou meu coração que encerra
o grande orgulho real de ser teu filho!"

    Foi fundador da Academia Paranaense de Letras (cadeira 29) e figura em Antologias e Dicionarios Bibliograficos, o que de certa forma lhe perpetua o nome. Isso é pouco, porém, para quem tanto brilho deu às letras araucarianas.
    Grande poeta, merece sair da sombra do esquecimento e ser lembrado com admiração e carinho. Merece, do Paraná, homenagem semelhante àquela que Santa Catarina orgulhosamente prestou a Luiz Delfino: "NESTA CASA NASCEU O GRANDE POETA ADOLPHO WERNECK" -- porque bem lhe serve a frase por êle mesmo grifada em "Minha Terra": -- As letras fazem a glória de um País e, se honrar quem as cultiva, não menos resplandecem sôbre a Pátria que é o seu berço". -- GRACIETTE SALMON. --

Noivos

A' Dona Morena

Será nossa união
.  .  .  .  .  .  .  .  .
o duetto  .  .  .  .
de um astro e um coração.
Demosthenes de Olinda

Somos noivos, emfim!
                                   Casar-nos-emos quando
o alegre passaredo
andar cantarolando
pelas virentes copas do arvoredo.

Chegada a primavera,
a terra aberta em flores,
iremos ambos nós--doce chimera--
por uma estrada cheia de fulgores,
em direção á ermida
que se avista de cá e cujo carrilhão
pela manhã convida
os fieis á oração.

A' porta o velho cura
virá nos receber
rindo, talvez, porque nossa ventura
faz almas sans vibrarem de prazer.

Em presença do altar
contrictos ambos nós,
ao chão pregado o olhar,
murmuraremos o recebo a vós.

E pelo do hymineu sagrado laço
unidos, afinal,
voltaremos de braço,
venturoso casal,
pela mesma estrada
cheia de fulgores
ouvindo alem a alegre passarada
cantar feliz uma canção de amores.

Jansen de Capistrano

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